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Poliéster - vilão ou injustiçado?
Data de Publicação: 15 de maio de 2026 14:11:00
Se você acompanha conteúdos de moda na internet, provavelmente já ouviu alguma blogueira decretar: “não compre poliéster”. E pronto. O tecido ganhou fama de vilão absoluto da moda. Mas será mesmo que o poliéster é tão ruim assim?
A verdade é que, como quase tudo na moda, a resposta não é simples. Existe muito terrorismo fashion nas redes sociais e pouca explicação prática sobre o assunto. Primeiro, precisamos entender: o poliéster é uma fibra sintética, produzida a partir do petróleo. Diferente do algodão, do linho ou da seda, ele não vem da natureza. E sim, isso levanta debates importantes sobre sustentabilidade. Por outro lado, também é verdade que o poliéster tem vantagens reais. Ele amassa menos, seca rápido, costuma durar bastante, mantém a cor por mais tempo e geralmente deixa as peças mais acessíveis financeiramente.
Inclusive, muitos uniformes, roupas esportivas e peças tecnológicas usam poliéster justamente por causa dessas características. Então por que tanta gente fala mal? Porque existe poliéster ruim… e poliéster muito bom. Aquele tecido fino, que esquenta demais, gruda no corpo e parece plástico? Normalmente é um poliéster de baixa qualidade. Mas hoje existem tecnologias têxteis avançadas que criam poliésteres leves, sofisticados, confortáveis e até com toque semelhante ao da seda. Ou seja: olhar apenas a etiqueta não basta.
Outro ponto importante é que muita gente romantiza tecidos naturais sem considerar a realidade. Um vestido 100% linho pode ser lindo, mas também pode custar caro, amassar em cinco minutos e exigir cuidados específicos. Já uma peça com mistura de fibras pode trazer mais praticidade para a vida real. E talvez esse seja o maior ponto desta conversa: moda precisa funcionar na vida das pessoas. A internet às vezes cria uma ideia elitizada da moda “certa”, como se qualidade estivesse ligada apenas ao nome do tecido. Mas qualidade também envolve construção da peça, acabamento, caimento, costura e durabilidade.
Além disso, existe outro detalhe pouco falado: o consumo exagerado. Uma blusa de poliéster usada por anos pode causar menos impacto do que dez peças “naturais” compradas por impulso e descartadas rapidamente. Sustentabilidade não é apenas sobre composição. Também é sobre consumo consciente.
Então… o poliéster é vilão? Não necessariamente. O verdadeiro problema talvez esteja no excesso, na baixa qualidade e no consumo sem critério. No fim, a melhor escolha não é a peça “perfeita” da internet. É a peça que faz sentido para sua rotina, seu bolso e sua realidade. Porque moda na vida real não vive só de etiquetas. Ela vive de equilíbrio.

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